{"id":49562,"date":"2025-10-30T09:46:21","date_gmt":"2025-10-30T12:46:21","guid":{"rendered":"https:\/\/blogdojuniorcavalcanti.com.br\/?p=49562"},"modified":"2025-10-30T09:46:46","modified_gmt":"2025-10-30T12:46:46","slug":"maes-de-mortos-questionam-operacao-no-rio-arrancaram-o-braco-dele","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogdojuniorcavalcanti.com.br\/index.php\/2025\/10\/30\/maes-de-mortos-questionam-operacao-no-rio-arrancaram-o-braco-dele\/","title":{"rendered":"M\u00e3es de mortos questionam opera\u00e7\u00e3o no Rio: \u201cArrancaram o bra\u00e7o dele\u201d"},"content":{"rendered":"<div><span style=\"font-size: 10pt;\"><strong><em>(Foto: Tomaz Silva\/Ag\u00eancia Brasil)<\/em><\/strong><\/span><\/div>\n<div class=\"linha-fina-noticia\" style=\"text-align: center;\"><em><strong>Relatos s\u00e3o de que muitos foram mortos depois de terem sido rendidos<\/strong><\/em><\/div>\n<div>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>A cena dos corpos enfileirados na Pra\u00e7a S\u00e3o Lucas, no complexo da Penha, na manh\u00e3 desta quarta-feira (29),\u00a0correram o Brasil e o mundo<\/strong>. Ao lado das dezenas de homens mortos durante a <a href=\"https:\/\/agenciabrasil.ebc.com.br\/tags\/operacao-contencao\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Opera\u00e7\u00e3o Conten\u00e7\u00e3o<\/a>, realizada ontem (28) pelas pol\u00edcias Civil e Militar do Rio de Janeiro, estavam familiares, em sua maioria mulheres. <strong>M\u00e3es, irm\u00e3s e esposas que choravam ao redor dos corpos e questionavam a a\u00e7\u00e3o do Estado. \u00a0<\/strong><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/agenciabrasil.ebc.com.br\/ebc.png?id=1665081&amp;o=node\" \/><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/agenciabrasil.ebc.com.br\/ebc.gif?id=1665081&amp;o=node\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Uma delas era Elieci Santana, 58 anos, dona de casa. Ela conta que o filho F\u00e1bio Francisco Santana, de 36 anos, mandou mensagem dizendo que estava se entregando e compartilhando sua localiza\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<blockquote><p>\u201cMeu filho se entregou, saiu algemado. E arrancaram o bra\u00e7o dele no lugar da algema\u201d, diz.<\/p><\/blockquote>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>O relato de que muitos foram mortos mesmo depois de terem sido rendidos era comum entre as fam\u00edlias que acompanhavam a movimenta\u00e7\u00e3o na pra\u00e7a. Os corpos foram trazidos pelos pr\u00f3prios moradores, na ca\u00e7amba dos carros, durante a madrugada.\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A confeiteira Tau\u00e3 Brito, cujo filho Wellington morreu durante a opera\u00e7\u00e3o, diz que muitos ainda estavam vivos ontem na mata, apesar de baleados.<\/p>\n<blockquote><p>\u201cOntem eu fui l\u00e1 no Get\u00falio [Hospital Get\u00falio Vargas] pedir para subirem com a gente, para gente poder salvar esses meninos. Ningu\u00e9m podia subir. Eles estavam vivos\u201d, afirma.<\/p><\/blockquote>\n<p style=\"text-align: justify;\">Segundo ela, os moradores come\u00e7aram a entrar na mata para procurar os feridos somente \u00e0 noite, depois que a pol\u00edcia tinha ido embora.<\/p>\n<blockquote><p>\u201cFicamos l\u00e1, cada um ca\u00e7ando seus filhos, seus parentes. Isso a\u00ed est\u00e1 certo para o governo?\u201d, questiona.<\/p><\/blockquote>\n<figure style=\"width: 578px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"\" title=\"T\u00e2nia R\u00eago\/Ag\u00eancia Brasil\" src=\"https:\/\/imagens.ebc.com.br\/CsAoNGIyYPifNiz9uhAxqjUzQ1s=\/754x0\/smart\/https:\/\/agenciabrasil.ebc.com.br\/sites\/default\/files\/thumbnails\/image\/2025\/10\/29\/_rbr0530.jpg?itok=6MCOkWGb\" alt=\"Rio de Janeiro (RJ), 29\/10\/2025 - Moradores protestam contra execu\u00e7oes na comunidade da Vila da PenhaOpera\u00e7\u00e3o Conten\u00e7\u00e3o.Foto: T\u00e2nia R\u00eago\/Ag\u00eancia Brasil\" width=\"588\" height=\"392\" \/><figcaption class=\"wp-caption-text\">Foto: T\u00e2nia R\u00eago\/Ag\u00eancia Brasil<\/figcaption><\/figure>\n<p style=\"text-align: justify;\">mocionada, Tau\u00e3 disse \u00e0 reportagem\u00a0que s\u00f3 queria tirar o filho do meio da rua.<\/p>\n<blockquote><p>\u201cN\u00e3o vai dar em nada. A verdade \u00e9 essa. Porque aqui tem um mont\u00e3o de gente chorando, mas l\u00e1 fora tem um mont\u00e3o de gente aplaudindo. Isso que eles fizeram foi uma chacina\u201d, lamentou.<\/p><\/blockquote>\n<h2 style=\"text-align: justify;\">Execu\u00e7\u00e3o<\/h2>\n<figure style=\"width: 542px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img decoding=\"async\" class=\"\" title=\"Tomaz Silva\/Ag\u00eancia Brasil\" src=\"https:\/\/imagens.ebc.com.br\/8vWEASLZuDL_8xoAPnnW-5wX3TM=\/754x0\/smart\/https:\/\/agenciabrasil.ebc.com.br\/sites\/default\/files\/thumbnails\/image\/2025\/10\/29\/toms9661.jpg?itok=O4xYmZgs\" alt=\"Rio de Janeiro (RJ), 29\/10\/2025 - Dezenas de corpos s\u00e3o trazidos por moradores para a Pra\u00e7a S\u00e3o Lucas, na Penha, zona norte do Rio de Janeiro. Opera\u00e7\u00e3o Conten\u00e7\u00e3o.Foto: Tomaz Silva \/Ag\u00eancia Brasil\" width=\"552\" height=\"368\" \/><figcaption class=\"wp-caption-text\">Foto: Tomaz Silva\/Ag\u00eancia Brasil<\/figcaption><\/figure>\n<p style=\"text-align: justify;\">O advogado Albino Pereira, que representa algumas das fam\u00edlias, acompanhou a a\u00e7\u00e3o durante a manh\u00e3. Na avalia\u00e7\u00e3o dele, h\u00e1 sinais claros de tortura, execu\u00e7\u00e3o e outras viola\u00e7\u00f5es de direitos.<\/p>\n<blockquote><p>\u201cVoc\u00ea n\u00e3o precisa nem ser perito para ver que tem marca de queimadura [na pele]. Os disparos foram feitos com a arma encostada. Chegou um corpo aqui sem cabe\u00e7a. A cabe\u00e7a chegou dentro de um saco, foi decapitado. Ent\u00e3o isso aqui foi um exterm\u00ednio\u201d, \u00a0aponta.<\/p><\/blockquote>\n<p style=\"text-align: justify;\">Os corpos come\u00e7aram a ser recolhidos pela Defesa Civil na parte baixa da comunidade por volta de 8h30, e encaminhados para o IML.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Fundador da ONG Rio da Paz, Antonio Carlos Costa acompanhou as cenas na Pra\u00e7a S\u00e3o Lucas e criticou a letalidade da opera\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<blockquote><p>\u201cN\u00e3o h\u00e1 uma invas\u00e3o aqui do Estado na sua plenitude, trazendo saneamento b\u00e1sico, moradia digna, acesso \u00e0 educa\u00e7\u00e3o de qualidade, hospitais decentes. Por que historicamente a resposta tem que ser essa? E por que a sociedade n\u00e3o se revolta?\u201d, questionou.<\/p><\/blockquote>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Opera\u00e7\u00e3o Conten\u00e7\u00e3o\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A Opera\u00e7\u00e3o Conten\u00e7\u00e3o, realizada pelas pol\u00edcias Civil e Militar do Rio de Janeiro, deixou 119 mortos, sendo 115 civis e quatro policiais, de acordo com o \u00faltimo balan\u00e7o. O governo do estado considerou a opera\u00e7\u00e3o \u201cum sucesso\u201d e afirmou que as pessoas mortas reagiram com viol\u00eancia \u00e0 opera\u00e7\u00e3o, e aqueles que se entregaram foram presos.\u00a0No total, foram feitas 113 pris\u00f5es.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Especialistas ouvidos pela\u00a0<strong>Ag\u00eancia Brasil<\/strong>\u00a0criticaram a a\u00e7\u00e3o\u00a0que gerou um grande impacto na capital fluminense e n\u00e3o atingiu o objetivo de conter o crime organizado. Para a\u00a0professora do Departamento de Seguran\u00e7a P\u00fablica da Universidade Federal Fluminense (UFF)\u00a0Jacqueline Muniz,\u00a0a opera\u00e7\u00e3o foi amadora e\u00a0uma \u201clamban\u00e7a pol\u00edtico-operacional\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Movimentos populares e de favelas tamb\u00e9m condenaram as a\u00e7\u00f5es policiais e\u00a0afirmaram que &#8220;seguran\u00e7a n\u00e3o se faz com sangue&#8221;.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Hoje pela manh\u00e3 (29), ativistas que acompanharam a\u00a0retirada de mais de 60 corpos\u00a0de uma \u00e1rea de mata\u00a0no Complexo do Penha\u00a0classificaram a a\u00e7\u00e3o policial como um \u201cmassacre\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A opera\u00e7\u00e3o\u00a0contou com um efetivo de 2,5 mil policiais e \u00e9 a maior realizada no estado nos \u00faltimos 15 anos. Os confrontos e as a\u00e7\u00f5es de retalia\u00e7\u00e3o de criminosos\u00a0geraram p\u00e2nico em toda a cidade, com intenso tiroteio, fechando as principais vias, escolas, com\u00e9rcios e postos de sa\u00fade.<\/p>\n<p><span style=\"font-size: 10pt;\"><em><strong>TV Brasil <\/strong><\/em><\/span><\/p>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>(Foto: Tomaz Silva\/Ag&ecirc;ncia Brasil) Relatos s&atilde;o de que muitos foram mortos depois de terem sido rendidos A cena dos corpos enfileirados na Pra&ccedil;a S&atilde;o Lucas, no complexo da Penha, na manh&atilde; desta quarta-feira (29),&nbsp;correram o Brasil e o mundo. Ao lado das dezenas de homens mortos durante a Opera&ccedil;&atilde;o Conten&ccedil;&atilde;o, realizada ontem (28) pelas pol&iacute;cias Civil e Militar do Rio de Janeiro, estavam familiares, em sua maioria mulheres. M&atilde;es, irm&atilde;s e esposas que choravam ao redor dos corpos e questionavam a a&ccedil;&atilde;o do Estado. &nbsp; Uma delas era Elieci Santana, 58 anos, dona de casa. 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