{"id":49592,"date":"2025-10-31T10:25:50","date_gmt":"2025-10-31T13:25:50","guid":{"rendered":"https:\/\/blogdojuniorcavalcanti.com.br\/?p=49592"},"modified":"2025-10-31T10:25:50","modified_gmt":"2025-10-31T13:25:50","slug":"cameras-mortos-e-presos-o-que-se-sabe-e-o-que-falta-esclarecer-sobre-a-megaoperacao-no-rio","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogdojuniorcavalcanti.com.br\/index.php\/2025\/10\/31\/cameras-mortos-e-presos-o-que-se-sabe-e-o-que-falta-esclarecer-sobre-a-megaoperacao-no-rio\/","title":{"rendered":"C\u00e2meras, mortos e presos: o que se sabe e o que falta esclarecer sobre a megaopera\u00e7\u00e3o no Rio"},"content":{"rendered":"<p><span style=\"font-size: 10pt;\"><strong><em>Foto: Mauro Pimentel\/AFP<\/em><\/strong><\/span><\/p>\n<p class=\"subTituloDet\" style=\"text-align: center;\"><strong><em>Megaopera\u00e7\u00e3o realizada na ter\u00e7a, que deixou 121 mortos, incluindo 4 pol\u00edcias, segue cercada de d\u00favidas e vers\u00f5es conflitantes<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A megaopera\u00e7\u00e3o policial que transformou os complexos do Alem\u00e3o e da Penha em um dos epis\u00f3dios mais violentos da hist\u00f3ria recente do Rio de Janeiro, com mais de 120 mortos, ainda \u00e9 cercada por questionamentos e pontos a serem esclarecidos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Enquanto as autoridades de seguran\u00e7a defendem a a\u00e7\u00e3o como o &#8220;maior baque&#8221; j\u00e1 sofrido pelo Comando Vermelho, familiares e entidades de direitos humanos clamam por transpar\u00eancia e responsabiliza\u00e7\u00e3o. O Globo re\u00fane, com base nas declara\u00e7\u00f5es oficiais e nos relatos de moradores, o que j\u00e1 se sabe e o que ainda carece de esclarecimentos em cada ponto crucial do caso.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Quem s\u00e3o os mortos<\/strong><br \/>\n<strong>O que se sabe: <\/strong><em>at\u00e9 a noite de quinta-feira, a pol\u00edcia confirmava 121 mortos na megaopera\u00e7\u00e3o que, segundo saldo oficial, s\u00e3o 4 policiais e 117 suspeitos, tornando-a a opera\u00e7\u00e3o mais letal da hist\u00f3ria. Os corpos periciados no Instituto M\u00e9dico-Legal (IML) Afr\u00e2nio Peixoto come\u00e7aram a ser liberados para as fam\u00edlias na manh\u00e3 desta quinta-feira.<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\" data-intext-processed=\"true\"><strong>O que falta esclarecer:<\/strong> <em>A pol\u00edcia ainda trabalha na confirma\u00e7\u00e3o da identidade de todos os 117 suspeitos, tendo solicitado acesso a bancos de dados de outros estados, j\u00e1 que alguns dos mortos seriam de fora do Rio. A vincula\u00e7\u00e3o dos mortos \u00e0 c\u00fapula da fac\u00e7\u00e3o criminosa ou aos alvos diretos dos mandados de pris\u00e3o n\u00e3o foi detalhada. O governador Cl\u00e1udio Castro (PL) afirmou, antes da divulga\u00e7\u00e3o das identidades, que todos os mortos, exceto os policiais, seriam criminosos, pois o confronto se deu em \u00e1rea de mata.<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Armas Apreendidas<\/strong><br \/>\n<strong>O que se sabe: <\/strong><em>as for\u00e7as de seguran\u00e7a apreenderam um volume recorde de armamentos em uma \u00fanica a\u00e7\u00e3o: 118 armas de fogo, incluindo 91 fuzis, 26 pistolas e 1 rev\u00f3lver. O secret\u00e1rio de Pol\u00edcia Civil, Felipe Curi, considerou a a\u00e7\u00e3o uma &#8220;grande perda de armas&#8221; para o Comando Vermelho.<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>O que falta esclarecer: <\/strong><em>n\u00e3o foi informado pelas autoridades se foram apreendidas armas com os corpos encontrados posteriormente na \u00e1rea de mata. As autoridades n\u00e3o detalharam quantas das 118 armas foram apreendidas durante os confrontos diretos e quantas estavam em \u00e1reas isoladas ou foram abandonadas ap\u00f3s os tiroteios.<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\" data-intext-processed=\"true\"><strong>Quem s\u00e3o os presos<br \/>\nO que se sabe: <\/strong><em>a opera\u00e7\u00e3o resultou na pris\u00e3o de 113 pessoas, entre as quais h\u00e1 o registro da apreens\u00e3o de dez menores. O principal alvo capturado foi o traficante Thiago do Nascimento Mendes, conhecido como Bel\u00e3o. Ele \u00e9 considerado o bra\u00e7o direito de Edgard Alves de Andrade, o Doca \u2014 um dos chefes m\u00e1ximos do CV na regi\u00e3o. O traficante possu\u00eda seis mandados de pris\u00e3o expedidos pelo Tribunal de Justi\u00e7a do Rio (TJRJ) por crimes como tr\u00e1fico de drogas, com\u00e9rcio de armas e confrontos com quadrilhas rivais. Tamb\u00e9m foi detido Nikolas Fernandes Soares, apontado como operador financeiro de Doca. Ele era respons\u00e1vel por gerenciar a contabilidade do tr\u00e1fico, o abastecimento de armas e drogas, a comunica\u00e7\u00e3o interna e o pagamento dos &#8220;soldados&#8221; da fac\u00e7\u00e3o.<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>O que falta esclarecer: <\/strong><em>apesar da pris\u00e3o de figuras importantes, ainda n\u00e3o h\u00e1 informa\u00e7\u00f5es detalhadas sobre quantos dos demais presos \u2014 sendo dez menores apreendidos \u2014 possu\u00edam posi\u00e7\u00e3o de lideran\u00e7a ou fun\u00e7\u00e3o estrat\u00e9gica dentro da hierarquia do Comando Vermelho. Al\u00e9m disso, a pol\u00edcia ainda n\u00e3o informou o nome dos presos e quantos j\u00e1 passaram por audi\u00eancia de cust\u00f3dia. O principal alvo da opera\u00e7\u00e3o, o traficante Edgar Alves de Andrade, o Doca ou Urso, chefe do tr\u00e1fico no Alem\u00e3o e na Penha, continua foragido. A pol\u00edcia n\u00e3o informou o poss\u00edvel paradeiro dele ap\u00f3s a a\u00e7\u00e3o nem se as pris\u00f5es de Bel\u00e3o e Nikolas forneceram pistas concretas.<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>As imagens das c\u00e2meras corporais<\/strong><br \/>\n<strong>O que se sabe: <\/strong><em>O Secret\u00e1rio da Pol\u00edcia Militar do Rio, Marcelo de Menezes, afirmou que as c\u00e2meras corporais podem n\u00e3o ter registrado toda a megaopera\u00e7\u00e3o devido \u00e0 dura\u00e7\u00e3o da bateria, de cerca de 12 horas. A movimenta\u00e7\u00e3o das tropas come\u00e7ou na madrugada (por volta das 3h), e o cen\u00e1rio de intenso confronto impediu a substitui\u00e7\u00e3o das baterias, o que teria levado \u00e0 interrup\u00e7\u00e3o das grava\u00e7\u00f5es em determinado momento. Menezes garantiu que todas as premissas da ADPF das Favelas foram cumpridas e que as imagens captadas ser\u00e3o disponibilizadas aos \u00f3rg\u00e3os de controle.<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\" data-intext-processed=\"true\"><strong>O que falta esclarecer: <\/strong><em>ainda n\u00e3o est\u00e1 claro quantos policiais usavam c\u00e2meras corporais na opera\u00e7\u00e3o. As autoridades n\u00e3o informaram quantas imagens foram gravadas e em que momento os registros foram interrompidos. Falta detalhamento sobre como ser\u00e1 feita a an\u00e1lise e a divulga\u00e7\u00e3o dos v\u00eddeos captados pelas equipes aos \u00f3rg\u00e3os de controle.<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>A estrat\u00e9gia do &#8216;muro do Bope&#8217; e a alta letalidade<\/strong><br \/>\n<strong>O que se sabe: <\/strong><em>o planejamento da opera\u00e7\u00e3o durou 60 dias e incluiu o chamado &#8220;muro do Bope&#8221;: outros batalh\u00f5es subiram as favelas para &#8220;empurrar&#8221; os traficantes para a \u00e1rea de mata anexa, rota de fuga, onde encontraram um pared\u00e3o de agentes do Batalh\u00e3o de Opera\u00e7\u00f5es Especiais (Bope). O Secret\u00e1rio de Seguran\u00e7a P\u00fablica do Rio, Victor Santos, defendeu a estrat\u00e9gia, afirmando que o objetivo era preservar a vida dos moradores, levando o confronto para a \u00e1rea n\u00e3o edificada. Santos classificou a alta letalidade como &#8220;previs\u00edvel, mas n\u00e3o desejada&#8221;, reiterando que a pol\u00edcia tem &#8220;a base para dizer que os 115 mortos s\u00e3o criminosos&#8221;, pois seria improv\u00e1vel que inocentes estivessem na mata fechada.<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>O que falta esclarecer:<\/strong> <em>n\u00e3o h\u00e1 informa\u00e7\u00f5es precisas sobre quantos dos 117 mortos foram encurralados especificamente nessa regi\u00e3o de mata ou como a t\u00e1tica do &#8220;muro do Bope&#8221; influenciou o alto n\u00famero de \u00f3bitos.<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\" data-intext-processed=\"true\"><strong>Buscas e retirada dos corpos na mata por moradores<\/strong><br \/>\n<strong>O que se sabe: <\/strong><em>familiares e parentes entraram na mata e retiraram mais de 70 corpos, levando-os para uma pra\u00e7a da Penha. As autoridades alegam n\u00e3o terem tido conhecimento da exist\u00eancia desses corpos e que, durante o confronto, era imposs\u00edvel realizar qualquer outra a\u00e7\u00e3o al\u00e9m de preservar a vida dos agentes. O Secret\u00e1rio de Pol\u00edcia Civil do Rio, Carlos Oliveira, criticou a a\u00e7\u00e3o, lembrando que o protocolo exige a comunica\u00e7\u00e3o \u00e0 corpora\u00e7\u00e3o, o acionamento da Delegacia de Homic\u00eddios e a per\u00edcia de local antes da remo\u00e7\u00e3o, o que foi impossibilitado. A 22\u00aa Delegacia de Pol\u00edcia instaurou inqu\u00e9rito para apurar uma poss\u00edvel fraude processual na remo\u00e7\u00e3o dos corpos, uma vez que os agentes alegam que houve retirada de coletes e armamentos.<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>O que falta esclarecer:<\/strong> <em>n\u00e3o h\u00e1 informa\u00e7\u00f5es precisas sobre o n\u00famero total de corpos encontrados na mata e como ser\u00e1 feita a identifica\u00e7\u00e3o completa. A Defensoria P\u00fablica do Rio foi impedida de acessar a sala de per\u00edcia e necropsia no IML, gerando preocupa\u00e7\u00e3o sobre a transpar\u00eancia e fiscaliza\u00e7\u00e3o dos procedimentos. Ainda n\u00e3o est\u00e1 definido quando as equipes policiais e peritos retornar\u00e3o ao local para realizar os procedimentos formais, nem se haver\u00e1 per\u00edcia independente para apurar as causas das mortes.<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>A c\u00fapula do Comando Vermelho e Doca da Penha<br \/>\nO que se sabe: <\/strong><em>a opera\u00e7\u00e3o tinha como alvo integrantes do Comando Vermelho, com expedi\u00e7\u00e3o de 180 mandados de busca e apreens\u00e3o e 100 de pris\u00e3o. Foram presos 113 suspeitos, incluindo 33 de outros estados, o que Curi considerou um grande golpe na fac\u00e7\u00e3o. Entre os presos est\u00e3o Thiago do Nascimento Mendes, o Bel\u00e3o do Quitungo (um dos chefes regionais do CV), e Nicolas Fernandes Soares (apontado como operador financeiro de um alto chefe). O principal alvo, Edgar Alves de Andrade, o Doca ou Urso, chefe do tr\u00e1fico no Alem\u00e3o e Penha e investigado por mais de 100 homic\u00eddios, segue foragido. O Disque Den\u00fancia aumentou a recompensa por informa\u00e7\u00f5es sobre ele para R$ 100 mil.<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\" data-intext-processed=\"true\"><strong>O que falta esclarecer:<\/strong> <em>n\u00e3o h\u00e1 detalhes sobre quantos dos mortos pertenciam, de fato, \u00e0 c\u00fapula da fac\u00e7\u00e3o ou estavam entre os alvos dos mandados. O paradeiro de Doca da Penha, o traficante mais procurado da opera\u00e7\u00e3o, n\u00e3o foi informado.<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Questionamentos dos parentes e a\u00e7\u00e3o da RAAVE<\/strong><br \/>\n<strong>O que se sabe: <\/strong><em>parentes na porta do IML relatam diversas den\u00fancias, como a alega\u00e7\u00e3o de que pessoas teriam tentado se render, mas foram mortas mesmo assim. H\u00e1 questionamentos sobre a aus\u00eancia de per\u00edcia adequada nos locais das mortes e sobre corpos que teriam sido encontrados com sinais de facadas e mutila\u00e7\u00f5es (ainda n\u00e3o confirmado oficialmente). A Rede de Aten\u00e7\u00e3o a Pessoas Atingidas pela Viol\u00eancia de Estado (RAAVE) montou uma for\u00e7a-tarefa no IML, oferecendo apoio jur\u00eddico e psicol\u00f3gico e auxiliando as fam\u00edlias a localizar parentes (mortos, presos ou desaparecidos) em parceria com a Defensoria P\u00fablica.<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>O que falta esclarecer:<\/strong> <em>as alega\u00e7\u00f5es de morte por rendi\u00e7\u00e3o e a exist\u00eancia de corpos com sinais de mutila\u00e7\u00e3o ainda precisam ser investigadas e confirmadas ou refutadas pelas per\u00edcias oficiais. Os parentes acusam falta de apoio nas buscas por corpos desaparecidos na mata, que estariam sendo realizadas apenas por moradores.<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\" data-intext-processed=\"true\"><strong>Rea\u00e7\u00e3<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\" data-intext-processed=\"true\"><strong>o pol\u00edtica e ADPF das Favelas<br \/>\nO que se sabe: <\/strong><em>o governador Cl\u00e1udio Castro (PL) defendeu enfaticamente a opera\u00e7\u00e3o, afirmando que &#8220;n\u00e3o temos medo de \u00f3rg\u00e3o de controle algum&#8221; e que o Estado n\u00e3o escondeu corpos. Castro anunciou que receber\u00e1 o ministro Alexandre de Moraes, novo relator da ADPF 635 (a das Favelas), na pr\u00f3xima segunda-feira no CICC, e n\u00e3o no Pal\u00e1cio. O secret\u00e1rio Felipe Curi criticou duramente o governo federal e a narrativa de que traficantes seriam v\u00edtimas, defendendo que a pol\u00edcia \u00e9 o her\u00f3i e desafiando ag\u00eancias internacionais a fazerem o trabalho que as pol\u00edcias do Rio fazem.<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>O que falta esclarecer: <\/strong><em>resta saber qual ser\u00e1 o posicionamento e as medidas a serem tomadas pelo ministro Alexandre de Moraes em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 letalidade da megaopera\u00e7\u00e3o, sob a luz das regras estabelecidas na ADPF 635.<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 10pt;\"><em><strong>Por Ag\u00eancia O Globo<\/strong><\/em><\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Foto: Mauro Pimentel\/AFP Megaopera&ccedil;&atilde;o realizada na ter&ccedil;a, que deixou 121 mortos, incluindo 4 pol&iacute;cias, segue cercada de d&uacute;vidas e vers&otilde;es conflitantes A megaopera&ccedil;&atilde;o policial que transformou os complexos do Alem&atilde;o e da Penha em um dos epis&oacute;dios mais violentos da hist&oacute;ria recente do Rio de Janeiro, com mais de 120 mortos, ainda &eacute; cercada por questionamentos e pontos a serem esclarecidos. 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