{"id":63596,"date":"2026-11-04T07:39:38","date_gmt":"2026-11-04T10:39:38","guid":{"rendered":"https:\/\/blogdojuniorcavalcanti.com.br\/?p=63596"},"modified":"2026-11-04T07:39:38","modified_gmt":"2026-11-04T10:39:38","slug":"conselheiros-do-tce-de-mato-grosso-movimentaram-r-48-milhoes-em-dez-meses-em-meio-a-fraudes-diz-pf","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogdojuniorcavalcanti.com.br\/index.php\/2026\/11\/04\/conselheiros-do-tce-de-mato-grosso-movimentaram-r-48-milhoes-em-dez-meses-em-meio-a-fraudes-diz-pf\/","title":{"rendered":"Conselheiros do TCE de Mato Grosso movimentaram R$ 48 milh\u00f5es em dez meses em meio a fraudes, diz PF"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 14pt; font-family: arial, helvetica, sans-serif;\"><em>Estad\u00e3o<\/em><\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 14pt; font-family: arial, helvetica, sans-serif;\">Os sete conselheiros do Tribunal de Contas de Mato Grosso, investigados por suspeita de envolvimento em um esquema de recebimento de propinas e fraudes contratuais na Corte fiscal, movimentaram R$ 48,4 milh\u00f5es em contas banc\u00e1rias ao longo de dez meses, segundo a Pol\u00edcia Federal com base na quebra do sigilo banc\u00e1rio do grupo.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 14pt; font-family: arial, helvetica, sans-serif;\">No mesmo per\u00edodo, o Portal da Transpar\u00eancia do tribunal registrou R$ 2,2 milh\u00f5es em sal\u00e1rios pagos aos conselheiros, montante 21,78 vezes menor que a movimenta\u00e7\u00e3o banc\u00e1ria identificada, que foi aproximadamente 2.077,5% superior ao valor divulgado oficialmente.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 14pt; font-family: arial, helvetica, sans-serif;\">O Tribunal de Contas mato-grossense, sob a vigia dos investigadores da Opera\u00e7\u00e3o Tomada de Contas, deflagrada na \u00faltima quinta, 29, informou que \u201cadotar\u00e1 todas as provid\u00eancias necess\u00e1rias ao cumprimento das determina\u00e7\u00f5es da Justi\u00e7a\u201d (leia a \u00edntegra abaixo). O Estad\u00e3o diz que pediu manifesta\u00e7\u00e3o dos sete conselheiros. O espa\u00e7o est\u00e1 aberto.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 14pt; font-family: arial, helvetica, sans-serif;\">O presidente do Tribunal, S\u00e9rgio Ricardo de Almeida, est\u00e1 preso preventivamente. O corregedor-geral, Guilherme Ant\u00f4nio Maluf, e os conselheiros Jos\u00e9 Carlos Novelli e Allisson Alencar foram afastados de suas fun\u00e7\u00f5es e est\u00e3o proibidos de deixar o pa\u00eds. J\u00e1 o vice-presidente da Corte, Waldir J\u00falio Teis, e os conselheiros Campos Neto e Ant\u00f4nio Joaquim permanecem nos cargos, apesar das suspeitas de participa\u00e7\u00e3o no esquema.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 14pt; font-family: arial, helvetica, sans-serif;\">O conselheiro aposentado Valter Albano da Silva, que integra a Comiss\u00e3o Permanente de Sustentabilidade Fiscal e Desenvolvimento, tamb\u00e9m foi afastado de suas atividades no Tribunal. As medidas foram determinadas pelo ministro Og Fernandes, do Superior Tribunal de Justi\u00e7a (STJ).<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 14pt; font-family: arial, helvetica, sans-serif;\">Cinco investigados j\u00e1 haviam sido afastados de suas fun\u00e7\u00f5es em 2017, por determina\u00e7\u00e3o do Supremo Tribunal Federal (STF). Na ocasi\u00e3o, Jos\u00e9 Carlos Novelli, Waldir J\u00falio Teis, Ant\u00f4nio Joaquim, Valter Albano da Silva e S\u00e9rgio Ricardo de Almeida foram acusados de exigir R$ 53 milh\u00f5es em propina para permitir a continuidade de obras destinadas \u00e0 Copa do Mundo de 2014.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 14pt; font-family: arial, helvetica, sans-serif;\">O afastamento ocorreu durante a Opera\u00e7\u00e3o Malebolge, 12\u00aa fase da Opera\u00e7\u00e3o Ararath, que apurava suspeitas de corrup\u00e7\u00e3o, lavagem de dinheiro, organiza\u00e7\u00e3o criminosa, gest\u00e3o fraudulenta de institui\u00e7\u00e3o financeira e crimes contra a ordem tribut\u00e1ria.<span id=\"more-233119\"><\/span><\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 14pt; font-family: arial, helvetica, sans-serif;\">A investiga\u00e7\u00e3o acabou arquivada pelo STJ por insufici\u00eancia de provas, o que abriu caminho para o retorno dos conselheiros \u00e0s fun\u00e7\u00f5es no TCE-MT.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 14pt; font-family: arial, helvetica, sans-serif;\">O suposto esquema de corrup\u00e7\u00e3o agora investigado pela PF seria liderado pelo presidente S\u00e9rgio Ricardo envolvendo o favorecimento de empresas contratadas pelo TCE em troca de pagamentos. A PF suspeita que o conselheiro usava seu poder para suspender contratos e bloquear repasses, sob a justificativa de cortes no or\u00e7amento, como forma de pressionar fornecedores.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 14pt; font-family: arial, helvetica, sans-serif;\">Em representa\u00e7\u00e3o ao STJ, a Pol\u00edcia Federal destaca a discrep\u00e2ncia entre os valores movimentados pelos conselheiros e os sal\u00e1rios declarados oficialmente. Segundo os investigadores, em dez meses, \u201cos sete conselheiros envolvidos tiveram aproximadamente R$ 48,4 milh\u00f5es creditados, enquanto o Portal da Transpar\u00eancia divulgou valores muito inferiores relativos \u00e0 remunera\u00e7\u00e3o ordin\u00e1ria\u201d.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 14pt; font-family: arial, helvetica, sans-serif;\">A PF chama aten\u00e7\u00e3o, ainda, para o caso do presidente da Corte, S\u00e9rgio Ricardo de Almeida. Conforme a investiga\u00e7\u00e3o, \u201co Portal teria divulgado cerca de R$ 288 mil no per\u00edodo correspondente, enquanto os extratos apontariam cr\u00e9ditos superiores a R$ 15,4 milh\u00f5es\u201d.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 14pt; font-family: arial, helvetica, sans-serif;\">\u201cOs pagamentos, em tese, indevidos, eram feitos aos conselheiros e servidores diretamente da conta do TCE\/MT, a partir do recebimento de duod\u00e9cimos, por\u00e9m n\u00e3o eram feitos por meio da folha normal, mas sim, via de regra, pelo canal de pagamento destinado aos fornecedores\u201d, explica a PF.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 14pt; font-family: arial, helvetica, sans-serif;\"><strong>O rastro dos pagamentos, segundo a PF<\/strong><\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 14pt; font-family: arial, helvetica, sans-serif;\">O corregedor-geral Guilherme Antonio Maluf teria recebido R$ 10,6 milh\u00f5es em cr\u00e9ditos banc\u00e1rios suspeitos, dos quais R$ 9,7 milh\u00f5es foram movimentados por meio de 64 ordens banc\u00e1rias avulsas. Segundo o Minist\u00e9rio P\u00fablico Federal (MPF), os pagamentos eram feitos em pares de valores quase id\u00eanticos, destinados a contas de diferentes institui\u00e7\u00f5es financeiras.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 14pt; font-family: arial, helvetica, sans-serif;\">Conselheiro desde 2019 e vice-presidente da Corte no bi\u00eanio 2024-2025, Maluf foi designado, por meio de uma portaria de 2024, para conduzir a suspens\u00e3o dos contratos que agora s\u00e3o investigados na Opera\u00e7\u00e3o Tomada de Contas. Para o MPF, sua perman\u00eancia no cargo poderia \u201ccomprometer a coleta de provas, devido \u00e0 influ\u00eancia que exerce sobre servidores e procedimentos internos do Tribunal\u201d.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 14pt; font-family: arial, helvetica, sans-serif;\">Os investigadores tamb\u00e9m rastrearam os movimentos de uma holding patrimonial, a GM Participa\u00e7\u00f5es e Investimentos Ltda., constitu\u00edda pelo corregedor e sua mulher. A empresa teria adquirido im\u00f3veis de luxo no mesmo per\u00edodo das movimenta\u00e7\u00f5es financeiras consideradas suspeitas.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 14pt; font-family: arial, helvetica, sans-serif;\">O conselheiro Jos\u00e9 Novelli, por sua vez, teria recebido R$ 8,8 milh\u00f5es em cr\u00e9ditos banc\u00e1rios, dos quais R$ 7,3 milh\u00f5es foram pagos por meio de 78 ordens avulsas. A investiga\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m identificou movimenta\u00e7\u00f5es financeiras envolvendo familiares e pessoas pr\u00f3ximas ao conselheiro.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 14pt; font-family: arial, helvetica, sans-serif;\">De acordo com o MPF, a partir de setembro de 2025, o genro de Novelli, Vitor Turri, e M\u00e1rcio Silv\u00e9rio passaram a receber pagamentos nos mesmos lotes de transfer\u00eancias banc\u00e1rias destinados ao conselheiro. Os investigadores tamb\u00e9m identificaram pagamentos a JC Holding Ltda., empresa patrimonial constitu\u00edda por Novelli em conjunto com seus cinco filhos.<\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Estad&atilde;o Os sete conselheiros do Tribunal de Contas de Mato Grosso, investigados por suspeita de envolvimento em um esquema de recebimento de propinas e fraudes contratuais na Corte fiscal, movimentaram R$ 48,4 milh&otilde;es em contas banc&aacute;rias ao longo de dez meses, segundo a Pol&iacute;cia Federal com base na quebra do sigilo banc&aacute;rio do grupo. No mesmo per&iacute;odo, o Portal da Transpar&ecirc;ncia do tribunal registrou R$ 2,2 milh&otilde;es em sal&aacute;rios pagos aos conselheiros, montante 21,78 vezes menor que a movimenta&ccedil;&atilde;o banc&aacute;ria identificada, que foi aproximadamente 2.077,5% superior ao valor divulgado oficialmente. 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