Candidatos às duas vagas por Pernambuco discutiram democracia, educação e saúde e foram cobrados sobre alianças e trajetórias políticas (Foto: Rafael Vieira/DP Foto)
Alianças, rompimentos, passagens por governos e posições sobre episódios da história recente do país atravessaram a sabatina com os candidatos ao Senado por Pernambuco, nesta quinta-feira (10). Eduardo da Fonte (PP), Humberto Costa (PT), Marília Arraes (PDT), Mendonça Filho (PL), Paulo Rubem Santiago (Rede) e Túlio Gadêlha (PSD) revisitaram trajetórias políticas e expuseram diferenças sobre educação, saúde, democracia e a relação entre os Poderes. O encontro foi promovido pela Rádio Cultura do Nordeste, em parceria com o Diario de Pernambuco e a TV Nova Nordeste.
Em diferentes momentos, as divergências deram lugar a confrontos diretos. Humberto e Mendonça trocaram acusações sobre seus históricos políticos; Marília e Túlio protagonizaram uma discussão que terminou com uma acusação de machismo; e Marília também confrontou Mendonça sobre a ditadura militar e os atos de 8 de Janeiro. Mendonça e Eduardo, por sua vez, entraram em choque quando o candidato do PL pressionou o adversário a revelar seu voto para presidente. Os governos de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Raquel Lyra (PSD) também permearam boa parte das discussões.
Humberto adotou um dos discursos mais ácidos da sabatina. Ao mirar Mendonça, afirmou que o adversário tenta esconder sua vinculação política aos governos Temer e Bolsonaro e atribuiu às duas gestões decisões que, segundo ele, prejudicaram Pernambuco. “Entendo que ele esconde Michel Temer, Bolsonaro. Prejudicaram profundamente Pernambuco. Fecharam estaleiros, privatizaram a Chesf”, afirmou.
A passagem de Mendonça pelo Ministério da Educação, durante o governo Temer, elevou a temperatura. Humberto chamou o adversário de “Mendonça mãos de tesoura” e o acusou de cortar recursos da área, além de citar políticas como o Programa Nacional de Acesso ao Ensino Técnico e Emprego (Pronatec), o Fundo de Financiamento Estudantil (Fies) e as cotas.
Mendonça rebateu. “Você falseia a verdade”, afirmou. O candidato disse ter orgulho da passagem pelo Ministério da Educação e voltou a atacar Humberto: “Você continua mentindo”.
O ex-ministro também reivindicou coerência em sua trajetória política. Disse que sempre esteve no campo da direita e que fez oposição aos governos petistas no plano nacional e ao PSB em Pernambuco. Na eleição deste ano, Mendonça apoia Flávio Bolsonaro (PL) para a Presidência e Raquel Lyra para o Governo de Pernambuco.
Marília acusa Túlio de machismo
Outro dos momentos mais tensos ocorreu entre Marília Arraes e Túlio Gadêlha. Ao falar sobre a atuação política da adversária, Túlio mencionou desentendimentos de Marília com nomes da família Campos e com o próprio PSB e contrapôs essas disputas ao que considera serem as “brigas” que um parlamentar deve comprar.
O candidato citou como exemplo a defesa do fim da escala de trabalho 6×1 e o combate à desigualdade. Na sequência, afirmou que “briga de classe política não leva a nada”, em uma crítica à adversária.
Marília reagiu imediatamente. “Eu vou brigar muito por Pernambuco. Tenho coragem de enfrentar situações muito adversas. Não arredo nem para um trem”, afirmou. A candidata disse que o eleitor não está interessado em “picuinha” e classificou a fala de Túlio como machista. Segundo Marília, mulheres que mantêm posições firmes são frequentemente classificadas como “brigonas”.
“Quando uma mulher é firme nas suas convicções, ela é chamada de brigona”, rebateu. Marília afirmou ter sido vítima de “machismo estrutural” ao longo de sua trajetória política e classificou a colocação do adversário como “extremamente machista”.
A resposta terminou com uma provocação direta: “É uma pena, Túlio. O seu eleitor não merecia que você tivesse esse destino”.









