A governadora de Pernambuco e candidata à reeleição, Raquel Lyra (PSD), defendeu nesta quarta-feira (16) a manutenção do diálogo com o governo federal como uma das bases de um eventual segundo mandato.
Em sabatina realizada pela CNN Brasil, ela afirmou que Pernambuco deve estar acima das disputas partidárias e sustentou que a relação construída com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) resultou na retomada de obras e investimentos no Estado. “Não é hora de separar por bandeira partidária”, afirmou.
Raquel apresentou um balanço dos três anos e oito meses de gestão e elencou propostas para os próximos quatro anos, caso seja reeleita. Entre elas estão a entrega de 50 mil soluções habitacionais, a retirada das palafitas do Estado, a ampliação dos investimentos em mobilidade e a climatização de toda a frota de ônibus da Região Metropolitana do Recife.
Parceria com Lula
Questionada sobre a ausência de Lula na campanha pernambucana e sobre o apoio do presidente a João Campos, Raquel evitou tratar a relação com o governo federal sob a lógica eleitoral. Segundo ela, o relacionamento construído desde o início do mandato foi baseado em negociações administrativas e na busca por investimentos para Pernambuco.
A governadora afirmou ter ido mais de 150 vezes a Brasília durante o mandato para reuniões com Lula e ministros e citou como exemplos de parceria a retomada de obras habitacionais, intervenções de drenagem, obras de proteção contra enchentes e a Transnordestina.
Raquel também foi questionada sobre a possibilidade de o próximo presidente ser o senador Flávio Bolsonaro (PL), adversário de Lula na disputa nacional. Ela afirmou que manteria a interlocução com qualquer governo eleito e disse que uma eventual mudança no comando do Planalto não deveria interromper projetos considerados estratégicos para Pernambuco.
“Não permita que uma conjuntura partidária ou uma disputa eleitoral possa atrapalhar o que a gente pode fazer durante o nosso governo”, relatou a governadora.
Segurança
Na segurança pública, Raquel afirmou que Pernambuco precisa manter uma política de integração entre as forças estaduais e federais. A governadora disse ter nomeado mais de 8 mil profissionais durante o primeiro mandato e prometeu realizar concurso para outros 10 mil agentes nos próximos quatro anos. Segundo ela, um edital para 3,9 mil vagas deverá ser lançado ainda em setembro.
A candidata também defendeu a PEC da Segurança Pública, proposta pelo governo federal, mas destacou que o combate ao crime organizado deve ser compartilhado entre União, estados e municípios. Ao ser questionada sobre as críticas feitas pelo governador de Goiás, Ronaldo Caiado, candidato do PSD à Presidência, à proposta, Raquel não endossou a avaliação do correligionário.
Ela citou investimentos em equipamentos, inteligência e estrutura prisional e afirmou que o Estado deverá chegar ao fim do ano com 7 mil novas vagas no sistema penitenciário. Segundo a governadora, Pernambuco registrou redução superior a 20% nos homicídios durante sua gestão e queda superior a 40% nos crimes contra o patrimônio neste ano.
Salário de procuradora
Outro momento da entrevista foi dedicado à remuneração recebida pela governadora como procuradora do Estado. Raquel recebe cerca de R$ 60 mil brutos mensais por ter optado pela remuneração da carreira de origem, em vez do subsídio previsto para o cargo de governadora, de aproximadamente R$ 22 mil. O tema vem sendo explorado pela campanha de João Campos, que questiona a opção remuneratória na Justiça Eleitoral.
Na CNN, Raquel afirmou que a remuneração está prevista na legislação e que a regra se aplica a servidores públicos que assumem mandato eletivo. “O que se busca fazer aqui em Pernambuco hoje é transformar o tema do debate no tema da minha remuneração”, disse.









