28 de setembro de 2026 15:09

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Altas temperaturas na capital do país começarão a subir a partir de segunda-feira e têm tudo para atingir o ápice na virada de setembro para outubro (Reprodução/Instagram/@inmet.oficial)  O Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) emitiu alerta vermelho (grande perigo) para a primeira onda de calor desta primavera. Apesar de ter começado na terça-feira, tende a se intensificar a partir de amanhã e atingir o auge até dia 30. Oito estados serão os mais afetados: Minas Gerais, Rio de Janeiro, São Paulo, Paraná, Santa Catarina, Goiás, Mato Grosso e Mato Grosso do Sul.  Segundo o Inmet, as temperaturas máximas podem chegar a 41°C em Cuiabá, amanhã e segunda-feira, e a 40°C em Campo Grande (MS), na segunda-feira. Em São Paulo (SP), a máxima poderá atingir 32°C amanhã. O instituto ainda adverte que o episódio deve provocar uma sequência de pelo menos cinco dias — critério usado para caracterizar um evento de onda climatológica — com temperaturas máximas superiores à média de 5°C ou mais.  Outras regiões deverão registrar temperaturas elevadas nos próximos dias, mas não estão incluídas no aviso porque a previsão não atende simultaneamente aos critérios de intensidade e persistência usados para caracterizar o evento. Em Brasília, a máxima poderá atingir 32°C a partir de segunda-feira.  “Em Brasília, as temperaturas podem ficar na faixa de 34°C a 35°C até o início da próxima semana”, relatou Francisco de Assis, meteorologista e consultor climático. Ele acrescenta que a onda de calor não será algo exclusivo do começo da primavera e que a expectativa, ao longo da estação, é de diversas ondas com temperaturas acima da média.  Por trás dessas mudanças está o El Niño. A meteorologista Andrea Ramos explica que o fenômeno climático começa com um aquecimento anormal das águas do Pacífico Equatorial, cujos efeitos se propagam pela atmosfera e modificam padrões de circulação, chuva e temperatura em diferentes partes do planeta.  Ela cita que o boletim da National Oceanic and Atmospheric Administration (NOAA, uma agência científica do governo dos Estados Unidos) de 10 de setembro e a Organização Mundial de Meteorologia (OMM) destaca que o El Niño de 2026 está se fortalecendo e poderá atingir intensidade muito maior no último trimestre do ano, aumentando os riscos de calor extremo, secas e chuvas intensas, dependendo da região.   “Ele funciona como um amplificador ou modulador do sistema climático, enquanto a formação de cada onda de calor depende da configuração meteorológica regional naquele momento”, observa Andrea.  Maria Clara Sassaki, especialista em meteorologia e porta-voz da Climatempo, observa que o El Niño deixa as temperaturas elevadas em diversos pontos da atmosfera porque o aquecimento das águas do Oceano Pacífico equatorial altera o padrão de circulação de ventos na atmosfera. Isso altera a disponibilidade de umidade no continente.  “Com o ar mais seco, a temperatura sobe rápido ao longo do dia. Isso não vale apenas para ondas de calor, mas, também, para períodos de temperaturas elevadas, como o que vai acontecer agora”, destaca.  Segundo o Inmet, um dos sistemas que contribuem para essa configuração é uma área de baixa pressão que deverá se intensificar entre o norte da Argentina e o oeste do Paraguai ao longo dos próximos dias. O instituto observa que o fortalecimento da baixa pressão modifica a circulação dos ventos em uma área bastante ampla. À medida que a baixa se intensifica, essa circulação favorece o transporte de ar quente das áreas mais ao norte em direção ao Sul do Brasil, ao Paraguai e à Argentina, o que contribui para a elevação rápida das temperaturas, que depois tendem a permanecer altas com a manutenção do padrão atmosférico.  “A baixa pressão em superfície não é o único fator responsável pelo episódio de calor. Na alta troposfera, entre cerca de 5km e 12km acima da superfície, também deverá se estabelecer uma circulação anticiclônica anômala sobre partes do Centro-Oeste, do Sudeste e do Sul. Essa circulação favorece o movimento descendente do ar. O processo intensifica e mantém as altas temperaturas, sobretudo quando associado ao transporte de ar quente em baixos níveis”, ressalta o informe do Inmet.  De acordo com o instituto, a alta pressão persistente é associada ao “domo de calor”, termo que descreve uma área que favorece a permanência da massa de ar quente sobre determinada região. Isso contribui para a persistência das temperaturas elevadas e dificulta a renovação do ar.   400 mil mortes  Cientistas da Universidade de Chicago calculam que as ondas de calor causadas pelo El Niño, entre junho de 2026 e fevereiro de 2027, podem matar mais de 450 mil pessoas. Publicada na revista Climate Impact Lab, a projeção ainda mostra um aumento de 44% de dias extremamente quentes comparados aos anos normais.  “Essas condições de calor anômalo se assemelham às temperaturas mais elevadas que, segundo as projeções, as mudanças climáticas trarão daqui a 20 anos”, destaca Maria Clara Sassaki, especialista em meteorologia e porta-voz da Climatempo.  Um estudo da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), desenvolvido em parceria com a Universidade Federal da Bahia (UFBA), estima que aproximadamente 120 mil mortes estiveram associadas às ondas de calor no Brasil entre 2000 e 2019. Isso representa cerca de 0,6% de todos os óbitos registrados no período.  Segundo a pesquisadora Beatriz Oliveira, da Fiocruz, responsável pelo estudo, o calor extremo não afeta a população da mesma forma. Idosos, mulheres e pessoas com menor escolaridade estão entre os grupos mais vulneráveis, principalmente por enfrentarem maiores dificuldades de adaptação, como acesso limitado a ambientes climatizados, maior exposição ao calor durante o trabalho e dificuldades de acesso aos serviços de saúde.  Dos 120 mil óbitos estimados pela pesquisa, cerca de 97 mil ocorreram entre pessoas com 65 anos ou mais. Quase metade das mortes esteve relacionada a doenças cardiovasculares e respiratórias.   A meteorologista Andrea Ramos salienta que o calor excessivo impõe um esforço muito grande ao organismo para manter a temperatura corporal. Ela explica que pode provocar desidratação, exaustão térmica, câimbras, insolação e, nos casos mais graves, a uma emergência médica.  “O calor também pode agravar doenças cardiovasculares, respiratórias e outras condições crônicas. Os riscos são maiores para idosos, crianças, gestantes, pessoas com doenças preexistentes e trabalhadores que permanecem muito tempo expostos ao sol e ao calor. Um aspecto muitas vezes esquecido é a temperatura noturna elevada. Quando as noites permanecem muito quentes, o organismo tem menor oportunidade de se recuperar do estresse térmico acumulado durante o dia”, adverte.

Altas temperaturas na capital do país começarão a subir a partir de segunda-feira e têm tudo para atingir o ápice na virada de setembro para outubro (Reprodução/Instagram/@inmet.oficial) O Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) emitiu alerta vermelho (grande perigo) para a primeira onda de calor desta primavera. Apesar de ter começado na terça-feira, tende a se intensificar a partir de amanhã e atingir o auge até dia 30. Oito estados serão os mais afetados: Minas Gerais, Rio de Janeiro, São Paulo, Paraná, Santa Catarina, Goiás, Mato Grosso e Mato Grosso do Sul. Segundo o Inmet, as temperaturas máximas podem chegar a 41°C em Cuiabá, amanhã e segunda-feira, e a 40°C em Campo Grande (MS), na segunda-feira. Em São Paulo (SP), a máxima poderá atingir 32°C amanhã. O instituto ainda adverte que o episódio deve provocar uma sequência de pelo menos cinco dias — critério usado para caracterizar um evento de onda climatológica — com temperaturas máximas superiores à média de 5°C ou mais. Outras regiões deverão registrar temperaturas elevadas nos próximos dias, mas não estão incluídas no aviso porque a previsão não atende simultaneamente aos critérios de intensidade e persistência usados para caracterizar o evento. Em Brasília, a máxima poderá atingir 32°C a partir de segunda-feira. “Em Brasília, as temperaturas podem ficar na faixa de 34°C a 35°C até o início da próxima semana”, relatou Francisco de Assis, meteorologista e consultor climático. Ele acrescenta que a onda de calor não será algo exclusivo do começo da primavera e que a expectativa, ao longo da estação, é de diversas ondas com temperaturas acima da média. Por trás dessas mudanças está o El Niño. A meteorologista Andrea Ramos explica que o fenômeno climático começa com um aquecimento anormal das águas do Pacífico Equatorial, cujos efeitos se propagam pela atmosfera e modificam padrões de circulação, chuva e temperatura em diferentes partes do planeta. Ela cita que o boletim da National Oceanic and Atmospheric Administration (NOAA, uma agência científica do governo dos Estados Unidos) de 10 de setembro e a Organização Mundial de Meteorologia (OMM) destaca que o El Niño de 2026 está se fortalecendo e poderá atingir intensidade muito maior no último trimestre do ano, aumentando os riscos de calor extremo, secas e chuvas intensas, dependendo da região. “Ele funciona como um amplificador ou modulador do sistema climático, enquanto a formação de cada onda de calor depende da configuração meteorológica regional naquele momento”, observa Andrea. Maria Clara Sassaki, especialista em meteorologia e porta-voz da Climatempo, observa que o El Niño deixa as temperaturas elevadas em diversos pontos da atmosfera porque o aquecimento das águas do Oceano Pacífico equatorial altera o padrão de circulação de ventos na atmosfera. Isso altera a disponibilidade de umidade no continente. “Com o ar mais seco, a temperatura sobe rápido ao longo do dia. Isso não vale apenas para ondas de calor, mas, também, para períodos de temperaturas elevadas, como o que vai acontecer agora”, destaca. Segundo o Inmet, um dos sistemas que contribuem para essa configuração é uma área de baixa pressão que deverá se intensificar entre o norte da Argentina e o oeste do Paraguai ao longo dos próximos dias. O instituto observa que o fortalecimento da baixa pressão modifica a circulação dos ventos em uma área bastante ampla. À medida que a baixa se intensifica, essa circulação favorece o transporte de ar quente das áreas mais ao norte em direção ao Sul do Brasil, ao Paraguai e à Argentina, o que contribui para a elevação rápida das temperaturas, que depois tendem a permanecer altas com a manutenção do padrão atmosférico. “A baixa pressão em superfície não é o único fator responsável pelo episódio de calor. Na alta troposfera, entre cerca de 5km e 12km acima da superfície, também deverá se estabelecer uma circulação anticiclônica anômala sobre partes do Centro-Oeste, do Sudeste e do Sul. Essa circulação favorece o movimento descendente do ar. O processo intensifica e mantém as altas temperaturas, sobretudo quando associado ao transporte de ar quente em baixos níveis”, ressalta o informe do Inmet. De acordo com o instituto, a alta pressão persistente é associada ao “domo de calor”, termo que descreve uma área que favorece a permanência da massa de ar quente sobre determinada região. Isso contribui para a persistência das temperaturas elevadas e dificulta a renovação do ar. 400 mil mortes Cientistas da Universidade de Chicago calculam que as ondas de calor causadas pelo El Niño, entre junho de 2026 e fevereiro de 2027, podem matar mais de 450 mil pessoas. Publicada na revista Climate Impact Lab, a projeção ainda mostra um aumento de 44% de dias extremamente quentes comparados aos anos normais. “Essas condições de calor anômalo se assemelham às temperaturas mais elevadas que, segundo as projeções, as mudanças climáticas trarão daqui a 20 anos”, destaca Maria Clara Sassaki, especialista em meteorologia e porta-voz da Climatempo. Um estudo da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), desenvolvido em parceria com a Universidade Federal da Bahia (UFBA), estima que aproximadamente 120 mil mortes estiveram associadas às ondas de calor no Brasil entre 2000 e 2019. Isso representa cerca de 0,6% de todos os óbitos registrados no período. Segundo a pesquisadora Beatriz Oliveira, da Fiocruz, responsável pelo estudo, o calor extremo não afeta a população da mesma forma. Idosos, mulheres e pessoas com menor escolaridade estão entre os grupos mais vulneráveis, principalmente por enfrentarem maiores dificuldades de adaptação, como acesso limitado a ambientes climatizados, maior exposição ao calor durante o trabalho e dificuldades de acesso aos serviços de saúde. Dos 120 mil óbitos estimados pela pesquisa, cerca de 97 mil ocorreram entre pessoas com 65 anos ou mais. Quase metade das mortes esteve relacionada a doenças cardiovasculares e respiratórias. A meteorologista Andrea Ramos salienta que o calor excessivo impõe um esforço muito grande ao organismo para manter a temperatura corporal. Ela explica que pode provocar desidratação, exaustão térmica, câimbras, insolação e, nos casos mais graves, a uma emergência médica. “O calor também pode agravar doenças cardiovasculares, respiratórias e outras condições crônicas. Os riscos são maiores para idosos, crianças, gestantes, pessoas com doenças preexistentes e trabalhadores que permanecem muito tempo expostos ao sol e ao calor. Um aspecto muitas vezes esquecido é a temperatura noturna elevada. Quando as noites permanecem muito quentes, o organismo tem menor oportunidade de se recuperar do estresse térmico acumulado durante o dia”, adverte.

Alunos denunciam atraso em bolsa e falta de materiais do curso de energia eólica no IF Sertão-PE de Serra Talhada

Farol de Notícias

Um aluno do curso de energia eólica Campus Serra Talhada do IF Sertão-PE, que preferiu não se identificar, procurou o Blog Farol de Notícias para denunciar atrasos no pagamento de uma ajuda de custo destinada aos participantes do Programa Energife 2026. Segundo o estudante, 13 alunos estão na mesma situação.

De acordo com o relato, os participantes foram informados de que receberiam uma ajuda de custo durante o curso. No entanto, segundo o aluno, apenas a primeira parcela teria sido paga, em agosto. O pagamento referente ao mês de setembro, que deveria ser realizado no início do mês, ainda estaria pendente.

“A gente ia receber uma ajuda de custo. Foi pago só a primeira parcela e o resto não foi pago”, relatou o estudante.

Além do atraso no pagamento, o aluno afirma que os participantes também enfrentam problemas com a falta de materiais necessários para a conclusão das atividades do curso. Segundo ele, os equipamentos e materiais aguardados pelos estudantes não teriam chegado ao IF Sertão há cerca de três meses.

“A gente não está conseguindo concluir o curso por falta de material no IF”, afirmou.

O estudante relata ainda que os alunos recebem informações de que os materiais serão disponibilizados, mas, até o momento, a situação não teria sido solucionada.

“Já estamos chegando no término do curso e o material não chegou para a gente concluir. A explicação é só que o material vai chegar e nunca chega. E o dinheiro também não”, declarou.

Segundo o aluno, a situação estaria dificultando o andamento das atividades e a conclusão do curso pelos participantes.

O outro lado

Procurada para se posicionar sobre os relatos apresentados pelos estudantes, a Coordenação Geral do Energife confirmou que tem conhecimento das situações e enviou uma nota explicando os procedimentos relacionados ao pagamento das bolsas e à chegada dos materiais utilizados nas atividades do curso.

Confira a íntegra da nota:

“A Coordenação Geral do Energife tem conhecimento das situações relatadas e compreende a preocupação dos estudantes.

O pagamento das bolsas é efetuado pela Fundação responsável pela execução financeira do programa, com base nas solicitações encaminhadas pela Coordenação e na frequência de cada aluno. A solicitação referente à folha de agosto foi liberada para processamento em 4 de setembro, mas o crédito ainda não foi confirmado nas contas dos estudantes. A Coordenação já entrou em contato com a Fundação mais de uma vez para cobrar esclarecimentos sobre a demora e uma previsão de pagamento.

Desde o início do curso, os alunos foram informados de que a apuração da frequência e o processamento do pagamento exigem um prazo, sem previsão de crédito no primeiro dia útil do mês. Pedimos paciência aos estudantes e reafirmamos que todos receberão os valores de bolsa a que tiverem direito, conforme sua frequência. Seguiremos acompanhando a situação até a confirmação dos pagamentos.

Quanto aos materiais, boa parte dos itens solicitados já chegou. A Coordenação continua cobrando da Fundação a entrega do restante. As aulas práticas serão realizadas de acordo com o cronograma de cada professor, com os materiais necessários às atividades previstas.

Manteremos os estudantes informados sobre os pagamentos e as entregas pendentes”.

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