
Folha de S.Paulo
Um ano após recuperar os direitos políticos, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) prepara um novo ciclo de viagens pelo Brasil mirando as eleições presidenciais. A iniciativa é defendida por setores do PT diante da possibilidade de avanço do presidente Jair Bolsonaro (PL) em pesquisas de intenção de voto.
Nesta terça-feira (08), completa um ano da decisão do ministro Edson Fachin, do Supremo Tribunal Federal (STF), que anulou as condenações de Lula na Lava Jato —alegando incompetência da Justiça de Curitiba para julgar os casos— e permitiu a retomada da elegibilidade do petista.
Desde então, o petista se tornou extraoficialmente pré-candidato ao Palácio do Planalto. Além disso, nos últimos 12 meses, obteve uma série de vitórias na Justiça.
Para 2022, o PT tem a vitória de Lula como prioridade máxima, mas tem articulado palanques nos estados com o intuito de aumentar sua bancada na Câmara dos Deputados, favorecendo a governabilidade em um eventual governo petista.
A aliança com o ex-governador de São Paulo Geraldo Alckmin, que deverá compor a chapa ao lado de Lula, é um dos indicativos do ex-presidente de que precisará estender as conversas para integrantes de outras correntes ideológicas além da esquerda, como tem defendido publicamente em entrevistas recentes.
O próprio Lula tem repetido que não deseja ser candidato do PT ou da esquerda somente, mas sim de “um movimento” mais amplo.
No último Datafolha, divulgado em dezembro, Lula marcou 48% ante 22% de Bolsonaro. Em pesquisas mais recentes, no entanto, Bolsonaro aparece com leve crescimento.
A avaliação entre petistas é que é preciso que o ex-presidente comece um giro pelos estados para mostrar que será candidato neste ano e se consolidar como líder das pesquisas. Para isso, a sua presença física nas regiões do país seria importante.
A ideia de fazer esse movimento partiu do próprio Lula, que vocalizou na semana passada o desejo de voltar a viajar pelo país.
O ex-presidente disse a pessoas próximas que passou muito tempo em São Paulo trabalhando em articulações políticas para viabilizar alianças com nomes considerados de centro e que chegou a hora de botar o bloco na rua.
A intenção é que o petista comece esse movimento entre o fim deste mês e o começo de abril — apesar do roteiro ainda não ter sido definido, há o entendimento de que o ex-presidente passe por todas as regiões brasileiras.
Estados que Lula já havia sinalizado que visitaria, mas teve que adiar a visita por causa da pandemia, devem aparecer no trajeto.
Aliados do ex-presidente defendem que Lula comece o roteiro pelo Nordeste para marcar posição onde lidera com folga. Visitas a estados como Santa Catarina e Rio de Janeiro, além do Distrito Federal, também devem ocorrer.
Apesar de estar na dianteira nas pesquisas no Nordeste, petistas identificaram que Bolsonaro teve singelo crescimento na população mais pobre da região e atrelam isso a um efeito do pagamento do Auxílio Brasil.
A constatação é que Bolsonaro tem avançado sobretudo entre os eleitores da chamada “terceira via”, que ainda não decolou, mas que é preciso agir para evitar que Lula tenha algum derretimento nas sondagens eleitorais.









