
Proposta dos dois principais candidatos à Presidência da República, a manutenção do Auxílio Brasil de R$ 600 em 2023 será um desafio para o vencedor da corrida eleitoral. Com o Orçamento apertado, ainda é incerto de onde sairá a receita de R$ 50 bilhões.
A mais recente aposta do presidente Jair Bolsonaro (PL), que tenta a reeleição, é que a venda de empresas estatais possa custear a verba necessária para o pagamento do benefício mensal. A declaração foi dada nessa terça-feira (30/8), durante reunião com empresários, em Brasília.
A medida, entretanto, não foi detalhada. Muito menos as empresas que seriam concedidas à iniciativa privada. Independente da solução financeira, o presidente dependerá do Congresso para aprovar uma Proposta de Emenda à Constituição (PEC) ou uma Medida Provisória (MP) com crédito extraordinário.
Bolsonaro já disse reiteradas vezes que recomendou ao ministro da Economia, Paulo Guedes, que a proposta de Lei Orçamentária Anual traga um indicativo para manter os R$ 600. O aumento de R$ 400 para R$ 600 ocorreu após a aprovação de uma PEC que driblou leis que versam sobre eleições e contas públicas.
Desejo VS. realidade
O economista Luiz Alberto Machado, conselheiro do Conselho Federal de Economia (Cofecon) e vice-diretor da Faculdade de Economia da Fundação Armando Alvares Penteado (FAAP), critica a proposta.
Para ele, o governo federal deve encontrar uma fonte que seja estrutural. “Independente da viabilidade, não é a maneira correta de se pensar o assunto. Fica uma espécie de retalho, uma forma de quebrar o galho”, explica.
Luiz Alberto defende que seja criado um projeto que independentemente dos governos seja mantido e garanta a sustentabilidade da transferência de renda. “O Brasil tem que pensar de forma estrutural num programa de renda básica. A questão da desigualdade é muito grande e não vai se resolver assim, de uma hora para outra”, conclui.









