Em 2001, o Plano Nacional de Educação determinava a inclusão da educação sexual nas diretrizes curriculares dos cursos de formação de docentes. (Foto: Nappy)
Dos 5 aos 9 anos, Marina foi abusada sexualmente durante as visitas quinzenais à casa do pai, em Ouricuri, no Sertão de Pernambuco.
A revelação dos abusos só ocorreu quando ela tinha 13 anos, durante uma palestra sobre abuso infantil em sua escola. Ela narrou que o pai aproveitava o momento que o irmão dela estava dormindo para acariciar as partes íntimas dela e cometer outros tipos de abuso.
O processo judicial teve início em 2018 e o pai de Marina foi condenado por estupro de vulnerável contra sua filha, em continuidade delitiva. Na última semana, ele teve o pedido para responder em liberdade negado pela 1ª Câmara Criminal, do Tribunal de Justiça de Pernambuco (TJPE).
O caso de Marina não é isolado no estado. O Diario de Pernambuco identificou outros processos que tiveram início a partir da denúncia da vítima durante aula sobre educação sexual e temas correlatos e que resultaram na prisão dos suspeitos. Os nomes das vítimas foram alterados para preservá-las.
“Estalo”
Outro caso envolvendo genitor e filha ocorreu em Floresta, no Sertão, resultando na condenação inicial do pai à pena de 31 anos, nove meses e um dia de reclusão.
Segundo a denúncia, em 2023, a professora relatava uma história para a turma sobre abuso sexual. A vítima, com 10 anos à época, se identificou com o relato e informou que era abusada por seu pai.
Ela foi retirada da sala de aula e ouvida por profissionais da instituição. Contou que sofria abuso há anos e que o pai chegou a filmá-la sem roupa. Segundo a vítima, ela havia sido abusada na manhã daquele mesmo dia.
A gestora da escola, ao ser ouvida durante o processo, destacou que no dia 18 de maio é trabalhada a temática contra o abuso infantil. Naquele ano, escolheram um livro que, segundo ela, tratava da questão da pedofilia de forma sutil e com metáforas.









