6 de novembro de 2026 03:54

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Treze anos após engorda, erosão volta a ameaçar a orla de Candeias, em Jaboatão

Orla de Candeias está cada vez menor devido ao avanço do mar (Foto: Rafael Vieira/DP Foto)

O receio de ver o mar avançando sobre calçadas e imóveis ainda faz parte da rotina de quem vive e trabalha na orla de Candeias, em Jaboatão dos Guararapes. Treze anos após a realização da obra de engorda da praia, moradores e comerciantes convivem com a sensação de que a proteção está em seu prazo de validade. Em diversos pontos da orla, a erosão voltou a preocupar a população, que pede novas intervenções para conter o avanço do oceano.

Um estudo publicado em 2025 pelo Instituto Federal de Pernambuco (IFPE) ajuda a compreender os efeitos da principal obra de recuperação costeira já realizada no município. A pesquisa “Estudo da erosão marinha com base no projeto de engorda das praias de Barra de Jangada, Candeias e Piedade no município de Jaboatão dos Guararapes em Pernambuco”, desenvolvido por Matheus Victor Tavares da Silva, concluiu que houve acúmulo de sedimentos nas praias analisadas após a execução do projeto de engorda.

A erosão marinha é uma preocupação antiga em Jaboatão dos Guararapes e, durante décadas, a perda gradual da faixa de areia reduziu o espaço da praia e aproximou o mar da infraestrutura urbana. Em alguns períodos, ressacas chegaram a ameaçar calçadões e edificações localizadas à beira-mar.

A resposta veio por meio do Projeto de Recuperação da Orla Marítima, que incluiu a engorda das praias de Candeias, Piedade e Barra de Jangada. A intervenção ampliou a faixa de areia e alterou a paisagem do litoral sul da Região Metropolitana do Recife.

Segundo o estudo do IFPE, a análise de imagens de satélite, visitas de campo e dados de geoprocessamento indicou que houve retenção de sedimentos nas áreas contempladas pela obra, sugerindo que a intervenção cumpriu o objetivo inicial de recuperar parte da praia perdida pela erosão.

Embora os resultados apontados pela pesquisa sejam positivos, a situação observada atualmente na orla demonstra que o desafio está longe de ser encerrado.

Treze anos após a engorda, moradores relatam que o mar voltou a avançar em alguns trechos da costa. A percepção de quem acompanha diariamente o comportamento das marés é de que parte dos ganhos obtidos com a obra foi sendo reduzida ao longo do tempo, principalmente em áreas mais vulneráveis.

“Já teve a engorda, já teve a solução da pedra para proteger as propriedades. Mas agora as pessoas estão com medo de que as ondas derrubem os muros, estão com medo de perder valor em suas propriedades. Os banhistas da praia também estão com medo de não ter mais areia num trecho de 2,5 km. Quem mora até o terceiro andar fica impressionado com o avanço do mar e deixa o apartamento. Eu sou um cara otimista, então acho que o setor público ainda fará algo aqui”, conta o arquiteto e urbanista Ângelo Arruda, que frequenta a área há 30 anos.

O próprio estudo ressalta que ambientes costeiros são dinâmicos e sofrem influência das ondas, correntes marítimas, marés e fenômenos climáticos. Por isso, pesquisas costumam destacar que a engorda não representa uma solução definitiva e é necessário monitoramento no local.

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