O ex-prefeito de Petrolina e candidato a deputado federal, Miguel Coelho (União Brasil), reconheceu que o processo de definição da chapa majoritária de Raquel Lyra (PSD) poderia ter sido conduzido de uma maneira diferente, mas fez questão de afastar qualquer interpretação de rompimento com a governadora.
Ao comentar a decisão que tirou seu nome da disputa pelo Senado, Miguel afirmou que Raquel, como líder do processo, tinha legitimidade para definir a composição que considerasse mais adequada ao seu arco de alianças.
Segundo ele, diferentes nomes tiveram espaço para construir suas pré-candidaturas. No momento decisivo, porém, a governadora fez suas escolhas.
Miguel evitou classificar a decisão como certa ou errada e afirmou que essa avaliação caberá ao eleitor pernambucano. O ex-prefeito também defendeu serenidade diante das divergências políticas e disse que não pretende transformar a frustração com a escolha em uma ruptura.
“A gente não pode estar toda vez que é contrariado, querendo dar um cavalo de pau e querer brigar com o mundo”, disse ao blogueiro Edenevaldo Alves.
Na avaliação de Miguel, o mais importante é preservar um projeto político maior, especialmente em relação à representação de Petrolina e do Sertão.
O dirigente do União Brasil revelou ainda que conversou pessoalmente com Raquel depois da definição da chapa e foi enfático ao dizer que não guarda mágoa da governadora.
“Eu não guardo mágoas, não tenho rancor nenhum com ela. Eu acho que isso faz parte da política”, declarou.
Foi nesse contexto que Miguel fez a avaliação mais direta sobre o processo: reconheceu que a condução poderia ter sido diferente, mas sem transformar a declaração em um ataque pessoal à governadora.
“Poderia ter deixado menos fissuras”, afirmou.
A declaração, porém, vem acompanhada de um movimento que demonstra a manutenção do diálogo político entre os dois. Miguel já definiu seu primeiro voto para o Senado: Mendonça Filho (PL).
Ao anunciar o apoio, ele destacou a experiência de Mendonça como deputado federal, governador e ministro e afirmou que o Senado precisa ser uma Casa de “mais resultado, de mais debate e ação do que de barulho”.
O segundo voto, entretanto, ainda não está definido.
E é justamente nesse ponto que Miguel sinaliza a continuidade da construção política com Raquel Lyra. Segundo ele, a governadora participa das conversas para a escolha do segundo candidato ao Senado.
“A governadora tem participado dessas tratativas e, muito em breve, o nosso grupo vai estar anunciando quem será o segundo senador”, afirmou.
A declaração coloca Miguel em uma posição politicamente peculiar: embora tenha sido retirado da disputa pelo Senado e reconheça que o processo deixou marcas ou, nas palavras dele, poderia ter deixado “menos fissuras, ele mantém posição ao lado de Raquel.









