31 de outubro de 2026 06:17

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Brasil corre contra o tempo para vencer últimos desafios na organização da COP30

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Há pouco mais de três décadas, em 1992, o Brasil assumiu um papel de protagonista no esforço global para enfrentar os grandes desafios ambientais que ameaçam a economia mundial e, em última instância, a própria sobrevivência do planeta. Naquele ano, o Rio de Janeiro sediou a Conferência das Nações Unidas sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento, a Rio-92. O encontro aconteceu poucos meses depois do fim da Guerra Fria, período marcado pela divisão do mundo em blocos capitalista e comunista e pela constante ameaça de uma hecatombe nuclear, quando as nações decidiram se unir para refletir sobre o futuro. Dali nasceram marcos internacionais, como a Convenção das Nações Unidas sobre a Mudança Climática (UNFCCC, na sigla em inglês), que estabeleceu a realização anual da Conferência das Partes (COP), fórum dedicado a discutir e adotar medidas para conter o aquecimento global. Agora, pouco mais de um mês antes da trigésima edição do encontro, o Brasil volta ao centro das atenções: pela primeira vez, será o anfitrião de uma COP, e o fará diante de imensos desafios.

O evento ocorrerá entre os dias 10 e 21 de novembro, em Belém, no Pará. Antes disso, nos dias 6 e 7 do mesmo mês, será realizada a Cúpula de Líderes, em que presidentes e primeiros-ministros se reunirão para ditar as prioridades das negociações. A conferência é fruto de um consenso que brotou em território brasileiro na década de 1990 e agora retorna às origens com uma missão de proporções amazônicas: pôr em prática os acordos já firmados, em meio a um cenário global turbulento, com destaque para o discurso negacionista do governo americano. Não bastassem os obstáculos diplomáticos e geopolíticos, questões internas contribuem para fazer da conferência do clima no Brasil um teste para os planos do presidente Lula, entre eles o de apresentar-se como líder de projeção internacional e reafirmar o protagonismo ambiental do país. Uma das provas mais emblemáticas é a escolha de Belém como sede da conferência. A decisão é simbólica, por colocar a capital do Pará como elo entre a maior floresta tropical do mundo e o Brasil urbano, e também ousada, diante de uma infraestrutura historicamente limitada, típica de uma cidade média de um país emergente. Trazer representantes do mundo inteiro para Belém é, em si, uma forma de ilustrar a dificuldade de conciliar, na prática, proteção ambiental e desenvolvimento.

O governo brasileiro pretende usar a COP30 como vitrine para destacar seus avanços em preservação ambiental e o potencial do país em oferecer soluções capazes de reduzir as emissões que provocam as mudanças climáticas. Há, de fato, resultados positivos a apresentar, embora persistam pontos de preocupação. Pelo lado otimista, o Brasil é referência mundial em biocombustíveis, em um momento em que o esforço dos países está justamente em reduzir a queima de carvão e derivados de petróleo, que representam cerca de 80% das emissões de gases do efeito estufa. Além disso, quase 90% da geração elétrica no país vem de fontes limpas e renováveis, como usinas hidrelétricas, eólicas e solares, diante de uma média global que se situa em torno de apenas 40%.

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