Fechamento de praça com tapume expõe drama de pessoas em situação de rua no Recife: “Agora eles ficam na calçada, sem nenhum apoio” (Foto: Rafael Vieira/DP)
O fechamento da Praça Jener de Souza, no bairro do Derby, área central do Recife, expõe a situação de pessoas em situação de rua nos espaços públicos da capital pernambucana.
Segundo comerciantes e moradores das redondezas, o isolamento da praça com tapumes tem relação com denúncias de que o local vinha sendo utilizado como moradia improvisada por pessoas em situação de vulnerabilidade social.
Ainda de acordo com a comunidade, o fechamento do logradouro público, no fim de fevereiro, mudou a rotina de quem vive nas ruas e depende de assistência social.
Responsável por atender diariamente essa população, a Casa Vincular, ligada à Comunidade dos Viventes, aponta impactos provocados pelo isolamento da área.
Segundo uma representante da instituição, que preferiu não ter o nome divulgado, cerca de 100 pessoas são atendidas por dia, com oferta de café da manhã, banho, atendimentos psicológico, jurídico e médico, além de atividades socioeducativas.
“Antes, eles ficavam sentados nos bancos da praça esperando abrir. Agora, ficam na calçada, sem nenhum apoio. É mais um desconforto para quem já está em situação vulnerável”, afirma.
De acordo com a responsável pela entidade, o espaço da praça era utilizado como ponto de permanência por parte desse público.
“Já teve época de ter 30, 40 pessoas dormindo aqui”, relata. Com o fechamento, essas pessoas se dispersaram e passaram a ocupar outros pontos da região. “Eles se espalharam. Muitos agora ficam em outros lugares e vêm só no horário do atendimento”, diz.
A instituição também aponta falta de comunicação prévia sobre a medida. “A gente só viu quando começaram a cercar. Não houve explicação oficial”, afirma.









